Vendo posts com a tag unidades de segurança máxima |

  • “A Caravana do Amor”: Um estudo sobre reciprocidades, afetos e sexualidade em um estabelecimento prisional que comporta homens e mulheres em seu interior, Rio Grande/ RS

    O presente estudo etnográfico foi realizado junto a mulheres que cumpriam pena no Presídio Estadual de Rio Grande. O estudo propôs-se analisar o sentido das práticas do namoro, do casamento e do exercício da sexualidade, engendradas num presídio que comporta homens e mulheres em seu interior, a partir do ponto de vista das mulheres. Observou-se discursos e práticas que apontam a experiência prisional como redimensionadora da gramática das relações do contexto da rua, tendo em vista a fratura dos laços entre consanguíneos e o estreitamento das relações entre mulheres e homens presos.

  • “E me visitastes quando estive preso”: sobre a conversão religiosa em unidades penais de segurança máxima

    Uma das "verdades" a respeito do universo prisional - produzida, sobretudo, pelos funcionários do quadro técnico-administrativo das unidades penais - é a de que os detentos convertidos durante o cumprimento de suas penas estariam "se escondendo atrás da Bíblia". O objetivo, neste trabalho, é analisar a conversão religiosa como um processo estratégico que altera as relações sociais e as fronteiras simbólicas existentes entre os diferentes grupos de detentos e funcionários.

  • O caos ressurgirá da ordem: Fernando de Noronha e a reforma prisional no Império

    Este trabalho analisa a história do Presídio de Fernando de Noronha no contexto da reforma prisional do Brasil do século XIX. Os objetivos consistiram em: compreender o papel do projeto de sistema prisional do Império brasileiro em um processo de civilizar a nação; analisar os projetos de reforma e os Regulamentos para o Presídio de Fernando de Noronha; e pesquisar as rotinas construídas na ilha-presídio, além da aplicação prática dos projetos governamentais.

  • Detenção: as relações de poder entre encarcerados e carcereiros a partir dos estudos de Goffman e Foucault

    O artigo tem a proposta de discutir as relações de poder entre encarcerados e carcereiros nas instituições penais a partir do filme Detenção (The Experiment, 2010, EUA), de Paul Scheuring. A partir do filme busca-se observar as consequências do poder cedido pela instituição aos carcereiros, tidos aqui como uma equipe dirigente, e de que forma esse mesmo poder age no grupo dos prisioneiros levando-o progressivamente à modificação da subjetividade enquanto anulação do eu civil.

  • O adoecimento psíquico do agente penitenciário e o sistema prisional: Estudo de caso em Sete Lagoas

    Este estudo analisou a relação entre o sistema prisional e o adoecimento psíquico do agente penitenciário. Através de um estudo de caso, realizado com dezessete agentes penitenciários do Presídio de Sete Lagoas, Minas Gerais, A partir do referencial teórico de Dejours, Foucault e Goffman procurou-se analisar a questão do trabalho, subjetividade, mortificação do eu dos agentes penitenciários, bem como, a relação destes com o adoecimento. O trabalho possibilitou identificar que o agente penitenciário ainda tem sua identidade associada à do antigo carcereiro, marcada por agruras e covardias e oscilando entre uma imagem de carrasco e redentor – um dos paradoxos desta função. Paradoxo este que traz implícito a omissão do Estado ao atribuir ao agente a responsabilidade de estabelecer a conduta adequada a cada momento. Ainda refletindo sobre este paradoxo, o agente se apresenta sob e diante da relação de poder, massificado duplamente, enquanto gestor e trabalhador. Outras contradições/paradoxos dessa categoria estão presentes em outras situações cheias de paradoxos, tais como: se sentirem desvalorizados x trabalho como sinônimo de utilidade pública; desgaste físico e mental x licenças e faltas atribuídas à falta de compromisso; trabalham com pessoas que não são confiáveis x identificarem se como ‘desacreditáveis’; dizer que o trabalho não influencia a vida pessoal x escolher lugares, companhias.

  • A questão penitenciária

    Ao retomar a complexidade à qual potencialmente nos remete a expressão “questão penitenciária”, objetivamos contribuir para o desenvolvimento de abordagens que favoreçam o enfrentamento de seus contemporâneos e redimensionados paradoxos. Transitando por aportes da sociologia do castigo, da economia política da penalidade, dos sentidos dos discursos e do paradigma da complexidade, assumimos a questão penitenciária como complexa intersecção entre dimensões e políticas penais e sociais na sociedade moderna. Propomos premissas e enfoques estratégicos na expectativa de que se evitem as armadilhas de uma cognição simplificadora das realidades prisionais e/ou tensionamentos seduzidos por uma mitologia do “bom presídio”.